sexta-feira, 22 de abril de 2022

... e vivi

 

Eu sei,

 nunca foi,

mas há um encanto

em finais mágicos...

Que nos transportam para

um vale onde só há verde

e um amplo horizonte,

como não sonhar?


Hoje eu olho, e

vejo o sol,

vejo flores (que tanto amo) e,

só.


Escaparam-me ou dei um tempo

a certos prazeres, 

que trazem conforto e

embelezam os passos...

a saber...


Mas a vida é assim, o 

destino nunca será

 confiável.


Acredito somente em

passos que darei

com outros 'olhos',

perdi o 'medo de andar'.

Perdi tantos 'eus' e

sempre imagino 'outro

dia',

e vivi.

quarta-feira, 20 de abril de 2022

No lugar onde estou

 

Haverá lógica no que é sem

sentido,

no que causa dissabor,

No que causou tanto torpor?

No que lançou tanto ao chão.


Que solapou tanto afeto, tanto carinho...

E assim, nem num mundo de 'faz-de-contas'

Imaginaria o que foi...


No lugar onde estou

A rosa-dos-ventos não alcança...

Nem meus sonhos alcançaram

Nem sei quem fui...


No lugar onde estou

Nada faz sentido

Nem meus sonhos fizeram

Não sei quem fui.


História que foi

 


Eu penso numa história que foi,

uma história registrada

sob muitas pedras,

Verdade que vivi

sob a sombra de um sonho,

que nunca amanheceu.


Fui tomada por lembranças,

por desejos, por expectativas,

que não refletiram

em espelho algum.


Olhei e vi gente

que nunca conheci e que

nada me disseram, 

nada.

Nada vi, nada ouvi,

nada vivi.


Foi um percurso mal

-feito em estradas

que nunca existiram...


Cada olhar é outra 

memória, um jato de

acontecimentos

que acordam algo em mim.


E cada despertar

um estrondo, um movimento

de ser que transporta

onde estou para onde

desejei estar.


Conheci caminhos diversos e, em 

nenhum vi  tanta

amplitude sem nexo,

capaz de penetrar em

diamantes e os

transformar em cinzas.


Foram muitas vidas, e

neste tempo foram tantas ilusões.


Acredito, acredito que

esta história foi quem formou

o redemoinho, o 

cirandar de emoções,

que a vida trouxe

com  tanto, e de volta 

levou.



terça-feira, 19 de abril de 2022

A máscara

 

Isso tudo veio tão repentino.

para estrategicamente

encontrar o campo árido,

remexer com tal

força essa terra,

para revolver qualquer

'ser' que lá pudesse

 existir, 

qualquer indicio de vida.


Cavar tão fundo

Que possa levantar

o pó de

tristezas passadas.


Nada, nada, absolutamente

nada foi

tão avassalador.

Eu nunca tive notícias (embora suspeitasse),

de tanta malignidade no

plantio.


E agora? - também me pergunto...


Haverá semente boa

em algum canto 

dessa imensidão vazia?

Haverá de novo alguma

florada com a qual queira te presentear?


Nada sei,

mantenho a máscara,

a máscara salva.



segunda-feira, 18 de abril de 2022

Por tanto...


A dor advém 

do que pensava viver,

de um sonho caído, 

de ver, que 

era um 'canto qualquer'.


De correr livre

num campo de tantas cores.

De buscar a flor mais encantadora

De um chá de fim de tarde

De Almodóvar a questionar.


Minha dor é de

 ter pensado

que vivi.


Por vezes que 

não existi.


Por amizades caras,

efêmeras,


Por lágrimas que rolaram

sem valor...


Por um tempo

de fantasia.


Por gente 

que nunca conheci.


Por sentires secos e

de pontas agudas.


Por tanto que não vi,

e vi.


E neste embate de ser e não ser,

de ferir meu coração.


Feri o sagrado (em mim)

e vi tudo na lama

da escuridão,

tudo sujidade,

tudo,

 o que nunca existiu.

Um conto de amargor

 

Disfarçou um olhar

em silêncio,

silêncio sentido.


em meu silêncio

entendi, entendi,

que anos não

soube quem eras.


Um olhar,

disseste

quem eras.


E ainda assim,

absolutamente nada

me removeu de meu

cansado lugar.


Tive que insistir, e

depois de vais e 

vens disfarçadas,

a verdade nua e crua.

Essa verdade que me mostrou

o amargo do ser.


Chegou num recado mal dado, escrito 

na consciência do que escrevia.


E um punhal desconhecido

entrou tão profundamente

no meu ser

que minha carne ferida

seguiu sangrando.


Sim lamentei.

o fim de um delírio

o translúcido do ser.


Cravei as unhas

em panos encharcados e

em paredes doloridas.


Bebi meu próprio sangue

ali mesmo procurando

a direção.


A terra é macia e

as pedras sensíveis:

descobri.


E continua a vida.



Aguardar

 


Insensibilidade é sentimento,

é sensação

a gente sente, mas tem que aguardar,

aprendi a aguardar.


Não se sente 'quanto'

Não  se sente 'onde',

Não se sente frio,

Sequer  se percebe a mudança

mesmo sutil na aspereza.

Normal é não sentir.


Se a palavra é direta: é insensível,

 ignorar, tudo bem...

Todos gostam de  imaginar

 um  mundo conhecido

aí fora... 


Insensível mesmo é, 

 dissimular,

e olhar 'só para si,

fora não importar,

 e nada ver.


Eu vi, mas por alguma razão,

destas que invadem e assolam.

Vi os movimentos,

Vi olhares maliciosos

(e não vi).


Vi a vaidade emergir e

embotar o restante,

Vi trejeitos lança-charme 

de uma sinhá pomposa

tão ausente do que

conheci...

Vi que não me viam.


Aguardei, sou de aguardar

ninguém olhou, ninguém viu...

ninguém falou, só sutis olhares

de quem não quer saber

o tanto que um 'salto' pode 

devastar uma vida.


Saiu, sem se despedir,

Esqueceu?

Não, na verdade, saiu sorrateira...

E se fez um silêncio aterrador.

Aguardei, sou de aguardar


Ninguém olhou, ninguém falou.

No silêncio também 

há mensagens,

as fantasias vão ao chão


Não vou aguardar.



sábado, 16 de abril de 2022

Foi vento

 


Observaste o vento

o vento vem

em dias quentes e dias

frios,


em dias quentes, abraça

em dias frios, assusta


Vento, forte, vento fraco ou brisa

vento espalha...

areia, água, pólen, insetos,

folhas, galhos

e tudo que há.


Pode varrer até a sujeira,

a poluição

pode espalhar,

pode juntar.


Nem bem abri as

janelas de tudo o que

sentia e,

um vento forte,

avassalador entrou

sem que se percebesse

(sim desatenta fui)

lançou tudo ao chão

louças, peças delicadas, outras não

tudo lançado ao chão.

Até os odores se misturaram

no lugar,

e não se sabia mais

o que era bom e o que era ruim,

no final 'nada prestou'.


Nada em pé

Nada do que restou

mereceu ficar em pé

O que restou era 'estorvo' à vontade.


Há tanto a a ser feito

há tanto a ser removido.


Nada a limpar, impregnou

os objetos

um pó viscoso, 

mistura de terra sem eira e

lágrimas sem beira...


Por fim,

com os olhos fixos 

num horizonte

que não existia

 pus-me em pé

coloquei cada coisa

em seu devido lugar

com razão e tudo.

Bem, 'tudo', 

exageros onde 

estou.


Ecoa

 


Tantas palavras ecoaram

em mim,

tantas estacas cravadas

num peito

sem vida.



Tantas feridas

abertas

Tantas portas fechadas

Tantos espaços vazios.


Um desfile do que foi bom

e do que feriu...


Um desfile do que estendi

e um vento frio, 

gelado lançando ao

chão

lançando tão distante que

ninguém mais viu.


Não há sensibilidade

em carne morta,

não há ecoar no vazio

não há ouvidos

em corpo sem vida.



Não há

Não houve

Não viste

Não vi

Não sentiste

Não existiu.

A última lágrima



Caiu a lágrima
Lágrima que caiu
 por meus delírios sem chão
por minha expectativa sem 
probabilidades
pelo tempo que sonhei
(um sonho não existente)
por tantas cartas numa 
mesa vazia
por tantas flores arran-
- cadas sorrateiramente...
por tantos passos impacientes e,
ansiosos
por caminhos que 
nunca andei,
por canções que só, 
escutei
por olhos curiosos
em passagens estreitas
por lealdade sem razão.

Por tantos sentires
lançados num canto qualquer
por espaços vazios.

Por um tempo que 
sonhando
transitei nas
sombras
sem ser vista,
sem ser notada,
sem ser.

Dedico com as forças 
que me sustentam,
uma última lágrima

Tem que ser

 



Pretensão nenhuma com o tempo

Não olho o futuro, o 

passado sei, não existe

mais.


Vivo, vou vivendo

Olhando de frente cada dia,

sempre surpresa: cheguei aqui.


não ouso olhar

qualquer direção,

 em 'mente', tem

que 'ser maior'


Nada, nem menos,

Nem mais,

MAIOR.

sexta-feira, 15 de abril de 2022

Desejos

Desejo, o melhor de todo o visível

O mais especial do invisível,

O mais sensível dos táteis

O aroma mais agradável

O lugar mais sagrado

O sabor mais misterioso.


Desejo um chá misto

Um chocolate 70% cacau

Um champanhe bem gelado

Um abraço especial

Um afago terno

E tudo que de bem

Haja para conquistar.

Esculturas de areia

 

Que lindas 

as esculturas de areia.

Tão lindas e tão frágeis

Tanta arte, tanta devoção e inspiração.

Não interessa o quanto se torça, se deseje, 

não interessa:

São frágeis, impermanentes,

 sempre vem ao chão.


Foram tantas as que erigi

Para festejar teus dias,

Para alegrar teus momentos,

Para amenizar tuas 'dores',

Para suportar o medo


Nenhuma,

suportou o vento agitado

das águas pandêmicas...


Quando o vento se foi,

Uma ou duas em pé, estraçalhadas,

uma confusão de formas 

sem real sentido.


Engoli meus sentires,

reuni um fio de força e,

desmanchei o que restou.


A arte, traduz a vida.

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Quiçá

 

Esqueceste?

eu também esquecerei.


Quando (se) um dia

voltarmos a nos ver

Não vou te reconhecer.


Pra ti, serei a estranha que

ao longe  nada será,

que nada é,

que nada foi

que nada representou.


Eu olharei e farei  força para lembrar...

Quiçá nunca lembre

Quem és, quem foste.

Agora a hora

 



Agora tudo dói

E o que deixaste pelo

caminho 

fui juntando.


Objetos imprestáveis,

lembranças e dor.


Agora não vejo a hora

De lançar ao ar, ao esquecimento

à lixeira das lembranças

tudo o que restou.


Confiei meus sentimentos,

Confiei minhas expectativas,

Confie meus sonhos

mais puros.


Nada ouviste, nada viste

Pisaste forte em meu coração

Sem dó,

só com o que sentias e,

ignoravas em mim.

O que és, ignorei também.



Só lágrimas

Éramos...

Era uma amizade

de quase-irmãs

em meu coração

Só quis te ver feliz.


Afaguei teu coração

Ajudei a secar tuas lágrimas

tantas vezes (hoje sem sentido)...


Ouvi teus lamentos e teus

sofreres

Vi tuas partes quebradas

ajudei a juntar

tantas e tantas vezes,

que abracei teus medos.


Caminhamos trocando

impressões singelas e,

Passeamos por longos sorrisos e

fartas risadas.


Comemos as mesmas gororobas e ríamos


Tomei teus vinhos sozinha...


Mas nunca, nunca imaginei

Que nesta nossa caminhada

Abriríamos a porta

para a maldade


Eu nunca quis,

eu nunca imaginei

Só lágrimas a correr.



Possibilidade

 


Nada mais assustador

do que a possibilidade

 não existir.


Não ser possibilidade, dói mais,

Dói muito

Mas nada mais dói

que a possibilidade

de não te ver


De para sempre 

não te ver.

O presente delicado



Certa vez,
ganhei um beija-flor
Sim, um beija-flor,
Não era de verdade

Era uma peça de madeira encantadora
Um porta-guardanapos verde
cujo bichinho tinha o rabo quebrado

Nem bem olhei e me encantei

Coloquei-o no alto da
estante de livros,
lugar mais nobre não
poderia encontrar.

Mantive-o ali por meses, anos...
 empoeirando-se e me encantando,

Merecia um olhar
todo dia,
um novo encantamento.


Eventualmente, 
descobria pequenas falhas,
Leves rachaduras na pintura, 
falhas que também me encantavam.

Um dia o encanto se fez raiva, decepção e dor

Peguei o frágil beija-flor
martelei-o em tantas
e quantos pedaços
foi-me possível

O beija-flor já não mais existe,
Não existe o que me encantava,
Hoje existe a lembrança
do que se foi.

Pobre beija-flor de madeira,
Pobres lembranças, fruto do encantamento
despedaçados.

Aquele lugar já não existe

 

Aquele lugar já não existe


Há lugares que ao

 sair se modificam

- todos se modificam na verdade,

mas alguns você observa

com  agudeza no olhar

- lhe são especiais.


Num 'vou e volto já'

ao voltar,

observa pequenos depósitos de pó,

objetos em lugar diverso,

sinais de quem ali passou

cheiros impregnados

- tudo é diferente,


Se observar, com a ausência

Aquele lugar não existe mais


Não existe mais o aconchego

aos olhos (alguns, só no olhar existiram)

aquele lugar não existe mais...


Não existe mais o cheiro tão gostoso,

Não existe mais o mesmo pó

os sinais são outros


Aquele lugar não existe mais


Não existe mais, 

Não existe mais o tudo

Que te encantou

Nem exite mais o 'eu' que

se encantara

Com pequenos objetos e tantas coisas

Com o acúmulo do pó e com os gestos indiferentes


Não existe mais aquele lugar

não existe mais.


A conchinha

 


Uma vez ganhei uma conchinha,

Linda, a mais bela

das conchinhas (aos meus olhos)

Com a fragilidade de

uma conchinha qualquer,

Com os encantos de uma conchinha qualquer

Com as superações de uma conchinha qualquer.

- tinha cicatrizes, as marcas do que vivera uma conchinha


Olhava-a admirada:

Como uma 'coisinha' tão pura, tão singela

viera parar em minhas mãos?


Tinha sido presente de 

uma amizade que a ela se assemelhava:

era bela,

porém frágil.


A conchinha.

Ah,  a conchinha se quebrou

Diante de um gesto embrutecido

Era frágil, a conchinha - já falei

E ela se foi,

se foi também

a bela amizade

- diante de outro gesto

também embrutecido

que quebrou meus encantos

e ensinou-me uma amarga lição

a bela conchinha se foi,

Tudo se foi

Tudo se vai.



quarta-feira, 13 de abril de 2022

Agora

 

Fui invisível para um amor fantasma

Sim, um 'fantasma'

Nunca existiu

Agora eu sei

Minha realidade estava 

encantada


Vi olhares fugidios,

mas continuei encantada com o que 

pensava ver


Procurei ser sempre mais

Mas mais, nunca foi o suficiente

para nenhuma medida

Nunca foi nada


Procurei entender,

Mas nunca procurei

A palavra 'verdade'.


Procurava  o quê em minha mente

fantasiosa,

em minha mente doentia?


Hoje sei

Estive doente

doente de 'ilusionismo'

vivi um mundo artificial

imaginava ser real...

Criei espaços, criei fantasias

criei momentos

criei sonhos

e por fim,

criei o grande pesadelo 

onde me perdi



O céu anuviado

 

Não vi, não vi o veneno

escorrendo

Não vi,

 não vi o punhal

levantando

Não vi,

 não vi o sangue 

jorrando

em minha alma.


Não vi,

  não vi as maldades,

que sorrateiras se 

aproximaram

se apossaram de mim, 

de ti.


Não vi,

não vi a destruição

anunciada

Só vi o céu anuviado

Tempestade em mim

 

Trovejante

a tempestade chegara.

E eu distraída,

Não percebi o peso daquelas nuvens,

quando olhei, 

vi 'tudo' deslizando sobre mim

fomos lançadas ao chão,

minhas alegrias, meus sonhos

e minhas esperanças


Soterrou amizades já 

enlameadas


Nada fiz, 

nada me restou fazer


Só restava salvar

o que restara em mim


E ainda assim, eram tantos ferimentos,

tantas quebraduras,

tanta dor


Que concluí todas as etapas do salvamento

em lágrimas tão abundantes

que causaram 

a morte de tantos sentires,

que eram bonitos

que eram livres

que eram puros

que eu acreditava


Não sobrou nada em pé


E não acredito em reconstrução 

aqui


Agora não é possível,

e a abundância de lágrimas

ainda desliza

por tanto

por tudo

por mim

por ti

por um 'nós' que só  eu vi

Pesar

É tanto pesar, 

se dar conta,

do que o que pensei ser

- nunca aconteceu


'Nós' - nunca aconteceu

e ainda assim lamento

o que pensei existir,

uma 'loucura', um surto,

um momento sem eira nem beira

um delírio extremo

que me lançou num espaço

em que o dor era tão profunda,

que todo meu corpo a reconhece.

E, ainda assim,

eu não a vi chegar

Quando olhei,

Já era o caos

Já era o fim

Já era dor.

Casa de espelhos

 Lembranças apunhalam

e multiplicam os ferimentos


Lembranças ferem

e multiplicam a dor


Lembranças doem

e multiplicam pedaços


Lembranças estraçalham

e multiplicam fragmentos do 'eu'


Lembranças são

'casa de espelhos' 

Só você sabe a verdade

do onde, do como, do tempo e,

da ilusão.

Urgente

 De quantas vivências se faz o esquecimento?

De quantas dores

De quantas palavras

De quantas tardes

De quantas trocas

D quantas idas

De quantas vidas

De quantos sonhos

De quantas tristezas

De quantos risos

De quantas lágrimas

De quantas verdades

De quantas ilusões


Se faz de tantos 'somos'

De tanta solidão

Se faz  de tantas feridas

De tanto sangue

E de tudo,

E de tanto


Que urgente se faz

o esquecimento.


Hoje sei

 

Hoje sei

que o  tempo 

Anda diferente

Mesmo para duas pessoas

'que o  dividiam' -  ah, ilusão


Não houve divisão

Não houve nada


Vivi isolada num tempo

Só meu

vivi a ilusão de estar

junto


Vivi a constatação da frieza

de tantos momentos


Existe um perigo tão claro, 

tão forte, tão intenso

De se viver só,

o que só

se  vive compartilhando.


Hoje sei.



Estranho

 

O mais incrível

Que me dou conta:

Nunca te conheci

Nunca soube de teus pensamentos...


Conheci bem tuas dores,

tuas crises, tuas dores

teus medos


Conheci tantos sentires

alguns te paralisavam


E ainda assim

Não te conheci


Estranho, mas eu vi

Vi, mas mais além

E em nenhum espaço-tempo

Eras quem revelaste ser..

Meus

 

Há sentires que são só

meus

Não fazem parte doutras vidas

E, por isto, tão intensos


São só meus,

Por isto, tão profundos,

só meus


Há sentires que são

brasa ardente

Só tocam minha pele,

Só a mim "chagueiam"

Em meio a  tantas feridas

Uma aflição danosa me 

engole

Mergulho num mundo

de sentires tão meus


Nada além de um

espírito ferido


Só, tão só meus...

Turbilhão

 

Mergulhei num turbilhão

De repente me deparei com

tudo e tanto que não

entendi e não encontrei saída


Era tanta indiferença, tanto

desprezo emergido,

desprezo em poucas palavras não,

mas em muitos gestos expostos.


Sem saída, mergulhei

num turbilhão.

Então me percebi

num mundo nunca visto:

um mundo vazio

um mundo cuja presença, 

nunca fora vista,

nunca fora percebida, 

nunca tivera sentido.


Repleta de surpresa

Com tanta dor e

rasos sentires

Sem poder olhar,

sem poder compartilhar.


'Não existe compartilhar',

onde você não existe.


Mergulhada num turbilhão.



Lamentos

 

Lamentei ter te conhecido

Lamentei te sido tão presença

Lamentei me envolver

Lamentei as idas e vindas

Lamentei ter sido tão 'eu' nestes encontros

Lamentei tantos momentos

E lamentei ter sido ponte

Lamentei ter oferecido ouvidos

Lamentei ter compartilhado a 'minha' amizade?

Nunca, jamais.


Mas lamentei ter persistido

Lamentei tido tão rasa percepção

Lamentei tantos lugares

Lamentei não ter inquirido

Lamentei não ter sido confiada

Lamentei ter me feito 'objeto'

Lamentei te 'sido eu'

Lamentei ter vivido o que vivi


Lamentei

Lamentei

Lamentei

Preciso

 

Preciso de uma

corrente do bem,

que me arraste para

longe daqui


Preciso de água, abundante água

para lavar meu coração,

que sangra


Preciso de vento a soprar

um pouco de vida nova


Preciso romper

com quem fui


Preciso arrancar 

esse sentir


Preciso sair

desta escuridão


Preciso visualizar

outro dia


Preciso te arrancar

do meu coração


Preciso acreditar

Haverá outro amanhecer.




Lembro

 

Lembro de teu sorriso

tão falso

De tuas palavras

tão vazias.


Em teus planos 

eu me incluí


Na verdade, não me incluí, me iludi


Vi sorrisos francos

E ouvi palavras sentidas

Na verdade me enganei,

Um engano tão sombrio,

Tão profundamente triste e

insuportável

Que feriu minha alma

Derrubou meus sonhos

Arrastou e matou tudo

o que pensei

ser possível.


No chão estou.


Tuas palavras

 

Tuas palavras foram lanças

acertando em cheio

minha alma

já tão ferida


E o meu coração ficou em pedaços

Se soubesses


Sinto-me soterrada

Sem conseguir

levantar

Sem conseguir

respirar


Sem saída

Sem esperança

Sem amanhã


Tuas palavras me lançaram

Em um buraco sem fundo

A pedregulhos afiados


E meu corpo cansado,

ferido,

sangrando


Aguarda um fim

reparador.





Ignorei, ignoraste

 

Ignorei

Tanto desprezo,

Tanta indiferença,

Tantos vazios,

Tantas emoções solitárias

Tantos percursos em lágrimas não vistas

Como vivi?


Tantos eram os sinais

de que não era nada

no teu mundo


Eu sequer estava ali

E ainda assim,

 ignorei.


Ignorei minhas dores,

Ignorei minha solidão,

Ignorei tudo


Tanto ignorei em mim

Que também me ignoraste.

Errei



Errei
Errei em desejar ser
parte do seu viver

Errei
Errei em querer ser
o teu amor

Errei
Errei sonhar contigo

Errei
Errei ambicionar ter
um lugar em teu viver

Errei
Errei tanto

E a dor destes erros
punem meu peito.

Sinto

 

Sinto saudades

dos sonhos que cultivei

Os mesmos sonhos

Que desfeitos foram  a causa

do meu sofrer.


Sinto falta da ilusão

de ter em ti um amor

E de que  seria o seu


Sinto falta  de ir

até aí e me iludir


Sinto falta

de tudo o que vivi

(real e das ilusões que projetei)


Sinto falta

da falta que um dia te fiz


Sinto falta 

de ser seu ombro-amigo


Sinto falta 

de ser a escuta sincera

de ser companheira 

da tua solidão


De partilhar o tudo que um dia

partilhamos

Sinto falta de 

"sonhar"

De ser parte de teus dias...


Sinto falta de fazer parte

do que nunca fiz parte.


Sinto falta de notícias

Sinto falta de um 'eu' que

sonhava.

Amanhã talvez

 

Foste como a chuva

Que chega mansa

Trouxeste alegria

e impressões de abundância

repentina na colheita 


(eu vi este tempo)


E aos poucos foste te tornando

tormenta avassaladora

E tudo foi lançado ao chão


O bom e o mau

em mim.


Nada em pé

Sem poder deter.


Sem conseguir deter

Os estragos intensos, imensos e,

sem nada me vi.

Sem nada  poder salvar


Procurei abrigo

para salvar algo em mim

Como?

Não vejo.


Sei que há


Junto forças e tento

De novo salvar algo

em mim


Mãos se estendem


Algumas conseguem 

me tocar, me alcançar


Amanhã talvez...

Vendaval

 

Um vendaval

 de areia

Adentrando 

um deserto


Não esteve em lugar

 algum

Não fez parte de nada

Não construiu

Nada

E nada foi

Vivendo

 

Forcei meu corpo

Em espaços

Que não lhe cabia

Iludindo-me forcei meu corpo,

Espremi meus sonhos,

Soquei meus pensamentos.

Empurrei tanto de mim

Que feri todo meu ser.


Saí espontaneamente?


Não, cega de visão e pele

tive que ser lançada...

E fui,

E sim, me esborrachei

No chão duro.


Por muito pouco, vi a

possibilidade de não sobrevivência.

Na verdade não  queria...


Se para ter  futuro,

ou viver o momento

com consciência de ser, 

não.


Continuo essa jornada

As lágrimas caem

As cicatrizes estarão

para sempre visíveis, 

eu sei.


E eu sigo

Sigo a jornada ou a jornada me segue


Como será?

Não sei, não consigo imaginar

Vivo momento a momento

E seguirei dia após dia

Vivendo.

Como será?

Braseiro

 

Quando me ergui

 em meio ao braseiro

Não entendi os fatos,

Não entendi,

como estive lá.


Demorei a me levantar

Não entendi meu corpo dolorido,

ferido,

partes sangrando

um sangue viscoso,

sem vida.


Um corpo sem vida.

Um corpo despedaçado,

Um pedaço de gente sem vida,

Um corpo sem vida,

Uma vida despedaçada

Um pedaço de gente sem vida

Uma pessoa estraçalhada


Não entendi

Ainda não  entendi

Mas meu corpo começa

a dar sinais 

de realidade

de cura, 

de cicatrização,

de se pôr em pé,

de seguir.

Amizade


A amizade que não ouve,

 não há,

Não houve


Amizade são umbigos expostos...

Cada um expõe o seu e,

Eu vejo o seu e você vê o meu

amizade vai além...


Amizade eu sei, eu conheço

Eu mesma vivi

Eu sei, eu ofereci


Amizade é troca...


É respeito aos pensamentos e 

mais aos sentimentos...


Amizade é olhar o amigo

Em sua amplitude

É ser 'ouvidos',

É ser apoio na dor,

É oferecer a palavra,

a melhor palavra.


Eu sei o que é amizade, 

Eu fui amiga

Respeitei espaço,

Respeitei tempo,

Respeitei o sentir...


Então eu sei o que é amizade.


Eu fui, eu olhei, eu vi,

senti, falhei, falei, presenciei,

fui presença.


Ofereci meu melhor 

- mesmo não sendo vista, 

mesmo sendo só...



 

Reciprocidade


Você não me viu,

Não me ouviu,

Não sentiu...

Você não me quis.


Eu sigo,

Vou em busca da possibilidade,

De viver, de ser ouvida,

De ser vista,

Que me queiram.


Vou em busca 

De reciprocidade

Nunca

 

Nunca fui possibilidade


Nunca foi possibilidade sonhar,

Mas sonhei


Nunca foi possibilidade estar ali,

Mas estive


Nunca foi possibilidade ser ouvidos,

Mas fui


Nunca foi possibilidade ser cura,

Mas fui


Nunca foi possibilidade.


Nunca fui possibilidade,

Mas existi, senti, partilhei, compartilhei, vivi.


Fiz o meu melhor neste nunca.




Abismo

 


Olhar um futuro sem ti

É olhar o abismo

Eu sei que há,

mas não é desejado (agora).


Não parece com nada

 que eu tenha buscado.


Mas o abismo está ali

e ao resto de mim..

E, não restando nada,

Eu mergulho...

Tanto...


Nunca saberás o tanto te quis

Foi das ilusões a mais profunda

Parecia que nada destruiria

(na minha mente, era imbatível).


Amei tanto, que não vi que não me querias

e isso tem me destruído,

por que não vi?


Por que fui tão presente?

Por que ofereci tanto amor?

- Agora só sobrou a dor...


Minha dor se amplia

E não estou em tua vida


Segue a dor...

 

Dor é saber

Que não fui nada,

Quando quis ser...


Pensar que és tanto


Como se o peso do meu viver inteiro

Despencasse sobre meus ombros

Esmagando parte de mim...


O que sobrou é dor.


E com a dor,

despedaçada,

em prantos e ferida


Sigo em minha solidão

Momento

 

Dói saber que

foste tanto 

para mim.


E eu, companhia de momento

Passageira - ouvinte de tuas dores

Enfim, 

Continue a caminhada.

Virão outras companhias...


Eu, sigo o meu caminho,

A tristeza é companhia

Repleta de dores,

Repleta de saudade,

Sigo meu caminho.

A dor de novo

 

A dor aumenta na mesma proporção da saudade

A saudade só cresce...

Não, não quero te ver

Ver-te seria ampliar essa dor

E não te ver é morrer um tanto

De tanta dor.

terça-feira, 12 de abril de 2022

Restará


Meu coração se  esvai em pranto

A dor presente será incompreensível a todos

Só em meu peito arde

Só eu sei o que dói

Só eu sei o que tanto se rompeu em mim

Mas na vida tudo passa,

eu também passei.

Passará a dor,

Passará a saudade

Passará esse emaranhado de sentires.

Passarão essas lágrimas

O que restará

De tudo o que tentei ser,

De tudo o que me dei

O que sobrou em  mim

Que restará?


 

Como?

 

Como vivi tantas fantasias,

Como me enganei com 

o que senti?

Como vi coisas que

não existiram?

Como transitei em lágrimas 

e não considerei essa dor?

Como ignorei meus pensamentos?

Como fui indiferente aos sinais?

Como dei meu melhor sem ser vista?

Como esvaziar meu coração

repleto de dores?

Como te olhei e vi

o que nunca existiu?

Como ofereci

 o que nunca olhaste?

Como ignorei o vazio

daquela sala?

Como não percebi 

a indiferença que me acompanhou?

Como não vi que aquele

mundo não era meu?

Como não senti o aperto

da falta de espaço?

Como me interessei por tantos fatos

que nunca me incluíram?

Como ignorei que minha presença

era preencher vazios?

Como não vi

os finais sempre solitários?


Como não vi que esse tempo

não era computado?

Como não me vi lançada

num canto solitário?


Como não vi, 

Como não percebi,

Como me ceguei,

Como senti tanto

neste emaranhado de indiferenças?






Não é nada

 

Quando me dou conta

De tudo que vivi e vivo e, 

percebo que me expus

A toda sorte de sentires

Sem filtros, sem defesas

Por desejar viver

Por não saber 

o que vivia;

Sentires puros e verdadeiros

Abandonados no vazio

de tanta vida.

Largados na indiferença

dessa caminhada,

Expostos a frieza de

um  olhar

E na imensidão da solidão

de mim mesma

Dentro  foi só teu, 

Fora  nada.

Eu quis


A dor é um elemento complexo

O corpo dói e você localiza a dor.

Já,  a dor no coração, se espalha

por todo teu ser, por todo teu corpo,

Tudo dói, doem as 

lembranças, dói o que foi dito, o

que não foi dito,

as idas e as vindas,

Dói pensar, dói o tempo

passar.


Dói a falta de esperança. 

Dói viver

Viver é constatar que tudo passou e nada foi.

Eu não sou,

e sinto tanta dor

Preciso calar essa dor

Calar tudo o que sobrevive em mim

Calar e calar

Melhor, vou enterrar.


Enterrar meus sentires, 

meus pensamentos, 

minhas lembranças

(frutos do que imaginei).


Enterrar esse tempo

Nada disso me cabe,

Eu nunca coube em nada disso 

- agora eu sei.

Neste espaço não tinha espaço para mim, 

Mas eu quis, 

ah, como quis estar.




Nada foi

 

Os sinais mostraram

eu não os reconheci

no tumulto de quem fui,

nos movimentos que fiz,

só vi nos olhares que só eu lancei

no vazio que encontrei...

Nos gestos que só eu fiz,

Nas palavras que só eu

soube o significado

só eu soube a intensidade

de tudo o que era.


Na verdade, 

nada foi.


Em vão

 

Não há o que fazer,

a vida é intransigente,

não te permite olhar para trás,

nem para ver erros,

nem para ver os acertos,

 é sensibilidade ou

não existiu.


A vida não permite

retrocessos

Não permite retomadas,

não permite refazer


A vida segue sem dó

sem dar tempo a outro olhar,

outra despedida,

outra saída.


A vida segue sem 

olhar para trás

E eu?

Eu sigo com ela.

Não tive escolha,

Era seguir tão somente,

Com dores ou sem dores...

com lágrimas ou sem lágrimas....


Com vontade ou

sem vontade,

A vida segue.


Olhar para trás

é ver distorções

de quem fui,

 de quem buscou e sonhou

 em caminhos

indisponíveis, e

transitando em vão.

Somente

 

Foram tempos,

em que busquei

com o melhor de mim

as belezas

das coisas em todos

 os cantos, não por mim,

mas por você

E isso invisibilizou

a beleza do que lhe ofereci.


E no fim

não via nem

 uma,  e pouco viste

da outra.


Não viste as

dezenas de flores

que colhi para ti

Não viste as delicadezas

com que te cobri.

Não viste o tempo bom

que lhe proporcionei...


Não viste sequer os 

sorrisos que ingenuamente

escancarei para alegrar teu 

mundo.


Não me viste chegar, 

não me viste pousar, 

não me viste partir.

Não me viste.

E quem chorou fui eu.

Quem sentiu a partida,

A saudade,

A falta de tudo o que 

busquei, o que sonhei.


Fui eu, 

somente eu.


Só a dor

 

Minha mente se faz

plena e compreendo

a imensa dor que atravessei

 (atravesso agora).

Porque na mente se fizeram possíveis

meus sonhos

e a realidade implodiu 

os meus sentires.

Suportei,

mas vi um a um

dos meus pensamentos, 

das minhas ações,

tomarem o  rumo do vazio.

Ninguém os viu ou  seguiu,

só eu vi.


Senti a dor de os reconhecer

e constatar 

que nada eram.

Só a dor era.




Tão só

 

Olhei tão pouco

ao redor...

Nunca olhaste

para mim


Se tivesse olhado,

teria visto?


Eu me lancei num

invólucro de sensibilidade,

só a te olhar,

só a te agradar,

só a te ouvir,

só a te sorrir,

Só a não ser eu - não ser.

Se não sou

 o que olharias?

nada a ver, 

num ser tão só.


Tudo era

 


Não há como explicar

que alguém

possa entender

Que estendi meu coração,

minha alma,

meus sonhos

meu mais sincero afeto

e proteção.


Tudo era pra você.

Tudo era diferente

 

Tudo tinha cor,

tudo tinha brilho,

Era especial.


E eu procurava

o que pudesse

embelezar teus dias...


Nada fez sentido

Sequer viste,

E eu a buscar.


Não há

 

E sempre te olhei

E sempre te vi

Eu sempre te ouvi

E você,

nunca soube

que eu estivera.

que eu estava ali.


Não há como 

ver e ouvir,

se não se percebe

que existe...


Não há como ver ou ouvir se

nem se sabe que existe.


Não ter sido ouvida,

não ter sido vista,

não ter sido


Nada 

ameniza a minha dor.




A dor no precipício

 

A dor se aprofunda.

se alastra


O pensamento é artífice

que alimenta os dissabores


Alimenta a angústia e a

tristeza


E esfola meu coração

E aponta o que vivi

e  que cravei como

minhas esperanças, 

como meus

sonhos e por

fim, ele cava e aprofunda

o precipício que 

se abriu em mim

Quem fui


 Para onde levo

o que sinto?

Onde despejo?


Nunca haverá um local adequado

para este descarte...


Porque junto

vai parte

de quem fui


Nada resta

 


Se não tive teu olhar

não tive nada.

Nada eu tive.


Mas  aceitei o peso

do nada,

Parecia suficiente,

desde que eu estivesse ali.


Mas o vento

levou as migalhas

Resta a dor,

Resta a saudade.

Nada resta.


O que tinha

 

Tanto amor contido

sem ser conhecido,

sem ser reconhecido

Valerá?


É um envio, 

que não chega

ao seu destino


Nunca saberá

nunca imaginará

a profundidade

do que guardei

e desejei

contigo compartilhar


Mas 'nunca',

foi possibilidade',


Talvez eu deva 

procurar  ferramentas

que destruam 

esse sentir - tão

desprezado,

tantas vezes ignorado

- hoje percebo.

muitas vezes foi 

tua saída - ignorar

para não ver.

para não exigir de si 

algum movimento.

Não ver, foram tuas ações.

e doeu, ainda dói.


Eu mesma vi o

teu fingir,

e como de costume,

Apreciei teu desprezo,

tua indiferença,

- era o que eu tinha,


Não é amor, certeza

 

Não, isso não é amor


É insanidade

Certeza.


Como amor 

vai doer

Como amor vai 

causar esse assombra-

mento

Como me lança

num fosso

de infindáveis pesares.


Em um raio de explosivos,

força, destruição?

Cores de novo

 Olho o céu e procuro

as cores de outrora


Não as encontro

as cores existem,

mas são outras agora.


Outras nuances, em algumas 

reconheço a beleza

olho novamente,

de novo e de novo.


Quero me encantar

com as novas

 cores que descubro.


Se houver encanto

olharei de novo

olharei mais uma vez

As lágrimas  nublam 

meu olhar

Voltarei a olhar...

voltarei a me encantar?

voltarei a me encontrar?


Ninguém saberá

 

O que faço,

o que farei

com tudo  o que sinto?


Que se faz com

tudo o que um dia foi

brilho, alegria,  esperança?


E hoje, só tristeza, 

só dor, só saudade


Não interessa o

quê se faça, o quê 

farei


Ninguém nunca soube,

E ninguém saberá.


Meus sentires



Meus sentires

foram todos ignorados 


A vida os ignorou


Senti o peso

de querer só


Do 'só' eu querer

somente querer


O querer quando

se esconde em você

A dor é insuportável


E você oferece

 e ninguém vê, 

ninguém quer.

Ninguém valoriza,

ninguém sabe,

Ninguém sente seu sentir,


Ele permanece num limbo

de apagamento e invisibilidade.


Que dói e dói e dói...

Dói tanto que

Que não se pode descrever,

sem que seu ser 

se  banhe em lágrimas.

e siga querendo,

só querendo

Querendo só.


'Eu'

 

Há uma parte 

faltando em mim

não sei se meu coração,

se minha alma,

ou  a mim,

falta o 'eu'.

O 'eu' conhecido, 

o 'eu' comum, o 'eu' 

cotidiano


Falta o 'eu',

que foi tão verdadeiro, 

Que de tão forte e 

verdadeiro

Estraçalhou-me

Pôs no chão tanta

confiança,

tanto afeto,

 tanto amor.


Resta outro, um 'eu'

desconhecido

Resta um 'eu' que eu não conheço

Restará um 'eu'?

Essa, é outra dor


A dor da tristeza chega 

causando uma leve pressão 

Quando se percebe, 

a dor por inteiro

se apossou de  seu ser.


Então começa

um leve aquecimento,

que vai aumentando, aumentando


Até que, uma explosão

de dores, jorra.

E fora, lágrimas 

a lavar a dor que não

cabe mais.


E a tristeza, aproveitadora,

como é,

Se estende a causar

confusão, mais dor e,

muito mais dor.


Isso tudo no silêncio

de quem és - parte

das ruínas de  ações

de quem só segue

sem ver.

Olho e não reconheço

 

Olho ao redor

e não me reconheço,

não reconheço a cidade,

as ruas...


Não olho mais para quem fui

- aquele fantasma me causou tanta dor.


Aquele espectro,

buscou em ruínas já existentes,

Suporte para

experimentar outras vidas,

mas as vidas não eram minhas.


As tuas,

continuam nas ruínas onde

minha ilusão

as vislumbrou

com brilhos nos olhos.


O brilho apagou,

não vejo quem fui.

Não sei,

não sei quem sou.



Onde


Onde enterramos 

o que vivemos,

quando acaba?

Onde é o sumidouro

das dores?

Onde foi a nascente

de tudo o que me assombrou?

Transito em meandros

sinuosos e violentos

Desde que quis me

aproximar do que vivia...


E o que vivia 

não percebia


Com esse movimento forçado,

rachei a esperança

esfacelei amizades,

que estendia em meio 

aos meus tesouros.


E agora?

Agora a margem onde transito

desmoronou, 

a violência do que vivi

assolou o leito

do que fui,



Abismo

 

Do fundo do abismo

onde me encontro,

procuro vestígios,

que sinalizem,

que estive

e se vivi,

algum momento

real?

Fim

 

De repente

um vazio,

acompanhado de

uma pontada aguda

no peito,

se alastra

em todo seu ser.

Expondo uma nova dor,

A dor do fim.

Sobriedade

 

Quando a loucura,

foi considerada

loucura,


Que  te olhei

e desejei ser parte.


Quando quis

te proteger

das dores da tua

 vida,


Quando dei mais importância

a tuas dores,

que as minhas...


Quando meu olhar se transformou,

e meus desejos foram suplantados...


Quando parei de  sonhar

e nem percebi.


Quando confundi

a própria realidade

com os sonhos findos...


Também não vi de pronto,

quando te retiraste.

Só te vi afastado.


Foi uma 'baita' ilusão, uma  loucura, sei lá 

o que foi...


E agora,

sobriedade,

onde estás?


Nada

 

Nunca olhei o futuro

com tua presença


Nunca ambicionei-o 

sem tua presença


E do presente,

que direi?


Nada,

nada planejei,

nada busquei...


E só chegou a dor.

Essa dor pujante.


Chegou sem planos

e, se alastrou.


Tomou conta,

e agora que a desprezo,

não quer me deixar.


Só meus sonhos

me deixaram.

Meus doces sonhos 

meus mais profundos sonhos,

Esses se foram.




Restará...

 


Quando a luz apaga,

Resta a escuridão.


Mas quando se perde

a esperança,

Que restará?

Lágrimas cansadas

 

Eu não estava ali

por nenhum 'olhar'.


Acordei:

percebi que naquela realidade,

eu não estava inserida...

nunca estivera,

por uma única razão:

não fora benquista,

fora 'necessária'.


E as lágrimas

jorraram abundantes, 

o reino das águas entendera.

Desceram lágrimas cansadas,


Nunca foste

 

Nunca foste

'possibilidade'  -  dito sem dó,


Vi e ouvi

o trincar dos 'cristais'. 

na outra margem...


E. em outra margem,

mal viste

o que senti,

perceber então,  jamais.


Mas não houve pudor

 se lançar

sem olhar ao redor

- 'se entendendo' -

E eu?


Você não existe.

Não te vi,

 não te ouvi.

Você não existe!



Ópera

 

Da ópera lembrarei

da solidão

da triste personagem.


Lembrarei do pranto

inconsolável e 

infindável - um certo exagero,

foi cansativo.


Da dor profunda

de ser lançada

num canto qualquer.


Da amizade rompida

Um tipo peculiar de amizade:

uma troca com o invisível.


Protagonista cansativa

dessa tragicomédia,

lançada no tempo

para ser esquecida.

Sinais chegaram

 

Não saberia dizer,

quantos sinais 

os céus lançaram...


Nenhum disfarçado,

todos óbvios.


Um sofá sempre afastado,

Um sono fingido,

Uma chamada em necessidade...

Uma necessidade de escuta...

de presença, fosse quem fosse,

mas era eu e,

dispensável se não necessária...


Um retorno sempre solitário,

na calada da noite

com medo ou sem medo.


Um amanhecer com expectativas:

'Hoje será diferente!'


Nunca foi,

Nunca será.



Invisível



O paradoxal de tudo isso

Vivi sozinha, na invisibilidade

Um amor,

Que só existiu em mim


Unilateral, 

Um sonho irreal,

Uma troca inexistente,

Invisível, 

Mergulhei num abismo

Profundo, gelado, escuro...

E eu era invisível.



E foi o gelo,

que me  despertou

do inferno onírico,

que inventei

para minha própria

e fantástica fantasia de ser

invisível.



segunda-feira, 11 de abril de 2022

Pensamento

 


Tento estancar 

o pensamento

Que em liberdade

Dá vida a tantos monstros

A tantas lembranças

que aterrorizam todo 

meu ser.


Olhares que vi,

só eu vi

Olhei em momento impróprio

Gestos soltos que trazem 

mais sofrimento


Por fim, palavas registradas

que marcaram como punhais

Seriam declarações simples,

mas atingiram

meu coração 

fatalizado.


Meu triste coração.

Meu estraçalhado 

coração


Como apagar

tantas dores, 

tantos sofreres

ainda tão vivos

tão famintos,

tão fortes,

tão violentos.


Em mim há agora

Um ser despedaçado

que precisa se juntar.

precisa se curar...




Dentro de mim

 

Existe dentro de mim

uma profunda dor


E a ela me expus 

sem tréguas


E assim me lancei 

no abismo 

em que estou


E ainda assim,

Extraio forças 

para continuar

Fragilidade

 

Esse tempo, esse momento,

esse dia

mostrou a fragilidade das relações,

a fragilidade das emoções,

a fragilidade dos laços.


E por fim,

minha própria fragilidade.


Mostrou que os inimigos

se erguem dentro...


Que me faço, 

uma alternância 

de seres.


E que tudo está,

embrulhado

no mesmo momento.


Compartilhando dores,

compartilhando lembranças,

e mais dores...


A alegria partiu.








A ferida

 


A ferida que se abriu

é doída,

é enorme, é ardida, 

é brutal, é feia,

é forte, é insuportável.


Preciso curar essa ferida,

urgente.


O que sinto, 

é incomparável, é indescritível,

é imensamente grande


Não é verdade que ninguém viu

ninguém quis ver.


Não houve um único olhar,

uma única ação

solidária a esse sentir.


Não houve reconhecimento,

não teve valor,

não teve importância.


E dentro de mim

esse sentir cegado,

continuou a se expandir,

mesmo sem espaço.


Implodiu, e ninguém viu

Ninguém vê,

ninguém saberá.



A dor fere


 Dor é coisa solitária

Que te impõe mais solidão


E a  solidão irrompe em mais dor,

Outras dores...


E vem à tona

Dores passadas e presentes,


Mais dor 

que vai se alastrando

toma espaço, toma vida.


A dor fere mais

Ou termino com ela

Ou a dor termina comigo.


Um fim

 

Há lembranças que são 

estocadas diretas no coração.


A dor é insuportável

Nubla os olhos

Enfraquece o coração


E só desejo 

que tenha um fim.



Invisibilizei

 

Invisibilizei tanto

meus desejos,

olhares e sentires,

que não me fiz ver...



De tanta tristeza

 

De tanta tristeza,

as lágrimas secaram.


De tanto as lágrimas secarem,

Tentei secar o coração.


Sentia a dor se aprofundar

e para o fundo levar

tantos pensamentos,

tantos sentires.


Tantas e tantas coisas belas,

e as feias também,

e eram tantas.


O papel de invisível

tem dores e seus dissabores

terríveis,


Você se obriga a não ver

se o outro não vê também.

E reascende a tristeza sempre.

Raso era o rio

 

Raso era o rio...

E até o montante 

das dores emerge

e se aninha tão fundo,

que parece não ter fim,

ser agudo, profundo, intermitente.


Uma coisa é certa

é  incansável,

mas canso eu.


E daí prometo,

reflito, invoco

e juro,

sei, em algum momento

darei o passo seguinte


E isso serão lembranças

sem sentido,



Em meio a tudo

 

Em meio a tudo isso

tenho que libertar 

meu coração,

meu espírito

desse amor.


Em meio a tudo isso

tenho que ter coragem

coragem para olhar

profundamente me 

auto-curando e

olhando só o bom 

do que foi, se foi...


Então, seguirei

e, em algum tempo,

esquecerei desta dor

sem propósito,

só meus sentires.


Sentires sem sentido,

sem propósito,

sem amplitude, 

sem voz,

sem sombra,

sentires invisíveis.

imperceptíveis.

Aprendi

 

Nunca saberá a dor,

Nunca saberá o amor

Nunca saberá.


Daqui onde estou

tudo foi em vão


Não,

aprendi mais dor,

aprendi indiferença,

aprendi silêncio.


Aprendi.


Invisibilidade 2 - De seu papel


Papel cumprido

era estar ali, 

observando e 

vivendo a vida 

de outrem,

então se retirava 

silenciosamente

como chegara,

em total discrição.


então, cuidava de retirar

e naõ deixar marcas

de seu passar, 

de seus passos,

de sua presença...


Não era vista mesmo.

Era bem-sucedida

Tanto que retornava e,

retornava,

cada vez mais invisível.

Invisibilidade 1

 

Em dado momento

te dá conta

de que faça 

o que faça - não será vista.


Dói? Nada.

Até te dares conta,

e quando isso ocorreu,

a invisibilidade já 

tinha se apossado de todo 

o teu ser.


Seu coração era invisível,

era invisível todo 

o seu ser.


Entrava e saía e

ninguém lhe via.


Se era discreta

se tornava um fantasma

'não estava' ali.


Ouvia, ouvia 

e se pronunciava

sem som,

não era ouvida.


E assim, se sentava

num lugar pré-estabelecido

fazendo e olhando

o que se esperava...


Nada surpreendente,

preferencialmente em silêncio,

em total silêncio,

precisava dormir...

Cada história

 

Existem histórias,

que só fazem sentido 

para quem as conta.


Nunca existiram,

nunca respiraram

fora desse ser,

sequer foram vistas.


Daí é que nasce

uma pessoa invisível,

sem voz.

Por terra

 


Por terra,

meu  corpo,

meu coração

meus sentidos,

minha mente.


Ergo,

ergo o que é possível

erguer.



Sentidos fracos

 


Meus próprios olhos 

me alertaram

Minha própria boca 

me falou

Minha própria mente 

confirmou.


Todos,

todos meus sentidos

ignoraram.

Preocupada com o fim...


O que acontecerá no fim?

As lágrimas secarão?

As lembranças cessarão?


O que restará de tanto sentir

no meio  de tantos

escombros


Que se erguerá daqui

O que sobreviverá? 

Seu


A dor da tristeza

é coisa insana

só você sente.


Compartilhar não funciona,

e como é que alguém

vai saber 

o que é essa dor,

se essa dor é só sua.


Rasga o peito,

estilhaça o coração.

Escurece a vista e,

ainda assim é

só sua.


O peso é seu,

 as intempéries

são suas.


O sangue que  

escorre é só seu.


Ninguém vê

Ninguém  sabe

ninguém mais sente.


 

Limites

 


Você percebe o limite

quando as 

lágrimas secam.

Os olhos não vem mais

 o começo de tudo

E a dor enfraquecida,

se mantém viva

como dizendo:

"- Nem sonho foi"

Do quê?

 

Para onde vai o sentir,

quando não faz mais sentido?

Perguntarão se foi real?

Se a dor causada

foi pela estocada 

provocada?


Se o que sentir no outro,

lhe diz respeito?

Se a dor do outro

ecoa em seu coração

algum minuto?


Que sentido faz a dor do outro

se não o vê,

se ele parece insensível.

se o mundo que vejo girar

é só uma estampa

num espelho?


Que sentido fará

se nem no côncavo,

nem no convexo

vejo sua sombra?


Pessoas invisíveis

sentem, amam,

choram,

são parte do quê?

Esse abismo

 



Ainda não creio

que fui lançada

a esse abismo

e dessa altura,

sem direção,

sem luz.

 sem ser..

Torção

 

Lágrima é água que escorre,

após torcer o coração.

E o tempo corre em 

direção ao desconhecido - fica a 

certeza de que 

o que passo,

passo - deixa marca somente

no coração ferido.

E quando não houver

o que torcer, 

torce o espírito

para ver se o material é maleável...

Se resiste...

Certamente.

Mas dali  surgiu 

um subproduto,

quem sabe 

luzente como diamante?

quem sabe

 o resultado de tanta torção...



Lembrar

 


E quando a memória 

tudo apagar...

não lembrará

de minha presença,

eu também não lembrarei de ti...

De meus gestos 

não lembrará,

eu já os  teus esqueci.

De quem eu fui, 

e eu não sei quem é.

E nunca saberá 

o que tentei ser,

eu sei que nada  tentou.


Aos pedaços , como 'Frankenstein'

 

Há verdades,

que jamais deveríamos ouvir.

Ao ouvirmos,

nos lançam de prancha

no poço mais profundo

da alma humana.


A escuridão toma conta, 

a dor é insuportável.


Você reúne todas

as forças que já ouviu 

notícias, de dentro de si

e se põe em pé

aos pedaços , como 'Frankenstein'


E tudo reinicia...


Sinais

 

Todo meu corpo ser viu

os inúmeros sinais de

que "não seria".


Olhei? Não.

Sequer dei atenção,

então, 

as lágrimas, a dor

foram merecidas.

São alertas

dos olhos 

a um "não vê!".


Confuso pensar

 

E quando a dor se for?

Que restará?

Lembranças?

Vazio?


Mas dói tanto pensar

 que não foi nada.

Arrasa.


Põe por terra

tanta coisa, tanta.


Pela penumbra

vislumbro...

Não, olho

e vejo cicatrizes (essas hão de ficar)

- do que foi - e o que foi?

Foi sonho,

foi ilusão...

Confundi as cores,

E vi cores que sequer existiram...

Vi rabiscos e confundi com arte

Acreditei tando,

que desacreditar é difícil.

Surpreende

 

O que surpreende é 

que é essa dor profunda,

no fim será lembrança do 

tanto que amei.

Da decepção que foi

De tudo o que neste trecho 

se perdeu,

se quebrou, 

se rompeu.

Despedida?

Nada. 

Não houve tempo

e quando haverá?

Movimento

 

Na vida é necessário movimento.

Nada, absolutamente nada

parou.


Se parou, 

foi tua mente embotada

por tanto...

Segue o tempo, segue...


Mas alguns chacoalhões,

são terremotos,

não deixam nada de pé...

Se nada fosse, 

era erguer o que pode

ser erguido, 

e seguir,

e se der recomeçar.

 Mas sigo ainda paralisada...

Cadê o movimento?


Localização

 

A dor se alastra

invisível,

Ninguém vê

Mas quem a sente.

sabe bem onde está.


Todos tem suas próprias dores...

Não sobra tempo para ver, sentir,

ajudar, curar

a dor, se for alheia.

Vemos nossa própria 

dor no mundo.


Quando juntarmos as lágrimas

para lavar do coração as ilusões,

as marcas,

as indeléveis marcas

que se fazem visíveis

talvez só exista verdade,


Mas juntamos lágrimas

de outras ilusões.


De tantas outras dores

tantas e tantas lembranças,

algumas amargas, todas  profundas.

Algumas ampliam a dor...



Algumas que  nascem da insensibilidade...

"nem te vi"

"não percebi que estavas aí"

e tantas e tantas...

"um fingir estar distante'

 - fingir? - comigo?

Alastra tanto a dor...




Formas diversas...

 

De tantas formas

expuseste teu não,

de tantas e diversas maneiras,

que é difícil imaginar

que destas, todas

eu ignorei,

simplesmente

ignorei.

Mereço toda dor,


E a Dor...

 




Afirmo, reafirmo

Minha dor é sincera

É real.

Minha dor é legítima.

Minha dor é pura

Minha dor mata.


Espelho e lama

 


No espelho do ridículo

estampei minhas dores,

meu amor,

parte do que acreditei.

Sentimentos tão banais, 

sob um véu de pureza...

Lançados na lama, 

Que restará,

quando a lama baixar?

A crença

 



Do lodo nasce o lótus,

Do lótus, nasce a flor

A flor mais 'encantadora', mágica,

A flor da esperança...


Que flor nascerá aqui?

Dor sequêncial...

 


Dor gera dor

Dor gera culpa

Dor é horrível

NINGUÉM MERECE DOR!


Tira toda cor

Apaga brilhos

Mas te obriga  A SEGUIR

DOR É IMPERDOÁVEL


E esta dor

Perdida, sem fundamento, sem lógica

Sem destino.

Esta dor atravessa...

sábado, 9 de abril de 2022

Que faço?



Eu preciso dizer

Sim, eu errei, 

por usar véus,

 Em meus sentimentos,

 Em minhas dores...




Por não deixar transpassar

 um ser verdadeiro

Fui  servil até, 

fui tantas coisas

num querer ser...

uma entrega sincera,

um deixar viver...

E dentro de  mim?

E agora?

Que faço desta dor, deste sentir,

Que faço?




Real

 



Pedes que segure o mar, 

Por que não o viste?

Pedes com a  mesma indiferença, 

que eu segure o meu amor (sentimento que se criou 

ao longo do tempo)

porque o teu Não existe?

De  fato, queres invisibilizar

quem sou, quem fui...

E o que eu senti.

E o afeto que evazou de mim?

Nada, não interessa...

Mas eu senti.

E o que senti foi real, 

não importa que só eu  o tenha sentido,

não importa que não o tenha visto,

Era real.

O afeto foi real,

Não importa que não o tenha visto,

não o tenha sentido,

não o tenha compreendido,

não o tenha aceito.

Não importa, era real.

Ninguém me dirá,

que não existiu o que senti.

Era real.



Ilusão




Insistem em dizer que  foi ilusão,

Como se a dor é insuportável?

Se só ousei sonhar?

Mas junto veio essa dor, e além da dor 

Vieram junto

Os restos de outras dores,

De tantas dores não curadas

Que aceitei ter sido ilusão.

Amei...

 


Amei,

Se por amor se quer dizer

Afeto, dedicação e cuidados, 

Escuta e desdobramentos,

Tempo e afeto

Presença e aconchego

Amizade profusa,

Desejo de ver feliz,

De ver seguro,

De ver bem,

De ver...

Sentido?

 

Que sentido tem o sofrer?

Conduzirá a alguma compreensão?

Restaurará algo?

Ou serão somente farpas inúteis

lançadas pelo destino 

Com o intuito sombrio

da carne se dilacerar

Do coração sangrar

E a mente embotar

E tudo ruir...

Que sentido terá?

Compreenderei?

Restaurarei?

Avançarei.

Lágrimas e dor

 



Todo meu ser se desmancha

em lágrimas e dor

tão abundantes e profunda,

tão intensas e dilacerante,

que ouso buscar

um sentido maior nisto tudo.

Haverá um sentido maior na dor?

Nas lágrimas?

 Além da percepção 

de tudo ser  

findo?

Não.

Lágrimas são lágrimas,

dor é dor e fim.

A saudade abrasa

 A saudade abrasa meu ser

Perfura minhas entranhas.

Estilhaça meu peito,

mas a tristeza nasce do que se rompeu,

nunca se  restaura uma  ruptura

na amizade, no sonho, na possibilidade (que nunca houve).

Só restará saudade.

Indagações vazias




Pergunto-me:

Onde mergulhei?

Ninguém me viu saltar?

Ninguém me viu mergulhar?

Ninguém me viu

Ninguém viu o fim. 

Acendi a luz

 


Acendi a luz

Em meio a um profundo pesadelo

Repleto de trevas

E a escuridão adentrou

a minha mente

e gerou um apagão de poder.

Fragilizada lancei-me aos pedregulhos

Arranhada e ensanguentada

Levantei os olhos

E as lágrimas secaram meu coração,

Infelizmente, a dor impede a luz,

A dor despedaça,

A dor dilacera, 

a própria dor...

Mão quentes e amigasse se estenderam,

e mais uma vez 

Acendi a luz.

Ninguém viu



Subentende 

Se dei amor, era um amor real.

Se dei carinho, era um carinho real.

Se dei atenção, era uma atenção real.

Se dei o tempo, era um tempo real.

Se dei flores, eram flores reais.

Se chorei, foram lágrimas reais.

Que importa, ninguém viu,

Poesia cambaleante

 




Há em mim uma poesia cambaleante

querendo emergir

Uma poesia de ofertas recusadas,

Uma poesia de amor desprezado,

Uma poesia de amizade rompida,

Uma poesia de dores vividas,

Uma poesia de indiferenças sentidas,

Uma poesia de um querer que não foi querido,

Uma poesia de estupidez atestada,

Uma poesia do ridículo de si,

Uma poesia de um sonho

que nunca encontrou o sol.

Era tarde

 Fechei a porta tarde...

A dor se aninhara em mim,

a dor foi tanta que debilitou meu ser,

Olhei todas as portas abertas

ao descaso,

ao silêncio,

à invisibilidade, 

à insignificância,

não consegui cerrar as portas,

Era tarde...

Ver

Ver é sentir,
ver é dar voz,
ver é olhar,
ver é ouvir,
ver é perceber,
mas eu também não vi

O ciclo findo

 Encerrei um ciclo,

este ciclo.

E olhei bem fundo em mim,

e vi o que fui ( o que sou),

leal, apoio, ouvinte, presença.

Nunca para exigir

Só pelo querer.

Mas cada qual vê  o que sua condição

permite ou quer ver...

É a natureza inata (creio).

E eu,  sempre me fiz vitrine

- se não viu, não me olhou,

Pois,

Meu pensamento é visível

Meu sentir está exposto

Sou óbvia.

O que foi 

impôs um novo olhar,

uma ação contundente

um andar em frente...

E hoje?

E hoje como estou?

 Numa batalha de vida ou morte

pelo controle de  mim...

Injetando coragem, decisão e juramento

Cavando fé...

estou viva  hoje...

e  ainda busco 

encontrar-me

No que o destino evidenciou,

Decido seguir...

Por querer-te tanto

 Por querer-te tanto

Sumi na ânsia de te ver feliz

De transmitir o melhor

Importava um único olhar,

mas era só indiferença,

Nunca importou

Tratada como 'nada - se saia

se entrava

se fechava a porta

se ia tarde, se ia cedo...

Nada importava,

sequer era vista...

Invisível entrava  e saía...

Desconhecido

Nem imagino como cheguei aqui

que onda enorme me arremessou

ao longe

Não reconheço o horizonte

Não identifico a direção do vento

Não sei onde estou

que farei aqui...

Tanta dor

 A dor que dilacera

tudo o que há

Que dói fisicamente

Que destroça

E traz lágrimas

Traz incompreensíveis

Sentires físicos que 

se tornam prazeres ( de viver)

Em tal  grau que afeta

o âmago do ser

E dói,

E estremece,

E estraçalha todo o eu

sábado, 2 de abril de 2022

Final de festa

 


O que sobra no final da festa?

garrafas vazias e

corações...

Lixo pelo chão e

paixões...

Luzes apagando e

olhares ao acaso.

nervos expostos e

pele sensível

sobras de quem fomos

e solidão.



sexta-feira, 1 de abril de 2022

Frente

 


Ainda ouso

Ouso olhar a frente

Ouso andar em frente

Ouso viver de frente

Ouso encarar frente

e ouso frente a frente ver


Parece um segue em frente

sem frentes abertas, 

Sem dores latentes...

Mas com todo meu ser

ansiosa em tua frente.

Incertezas

 Das dores que sinto, 

a que mais aflige

é a incerteza...

Incerteza do amanhã

De ser o que desejo ser

De alcançar o que desejo alcançar

De ver o sol brilhar 

De ter uma estrada para

livremente trilhar...

De fazer a escolha certa

De acertar o alvo

De avistar um horizonte

De ver florir de novo as flores

De me alegrar com o significativo

De ver o mais profundo

De navegar na superfície das aventuras 'brandas'

De submergir nas profundezas de mim 

De olhar e ver a luz de todo ser.

Nada

 


Sonhar teu olhar

Desejar teus afagos

Ansiar teus abraços

Querer teus sentires

Buscar tua presença

E nada...

Sou

 


Sou feita de sonhos inacabados

De desejos não satisfeitos

De amores não vividos

De pensamentos quebrados

De distâncias não cruzadas

De desertos meio floridos

De trechos não percorridos

De palavras não ditas

De passos não dados

De fazeres inacabados

De contrassensos

De reticências

Sou feita de partes desconhecidas

De lágrimas suspensas

De dores suprimidas

De amores não sonhados

Sou feita de pedaços 


Quebra-cabeça

 

A tristeza em meu peito se aninha

Aconchega, as vozes tristes de teu passado

A prisão de teus pensares

A riqueza enclausurada de tua criatividade

As dores entorpecidas de teus amores

mal lembrados...

aninho, aninho

Todo o quebra-cabeça  que é você.


Pelo fim


 Nem olhando ao redor seria outra a saída

Coragem para o próximo passo,

Coragem para olhar para a frente,

Coragem para seguir

Coragem é um eixo

Onde os desvalidos

Se aprumam, depois de ficar em pé.

Eu sei, eu senti tudo se esvair,

E senti que seria necessário

E segurei entre os dedos

Um tantinho desta coragem



Não

 

Não quero mais

Teus delírios

Tuas encrencas,

Teus sonhos

Tuas dores

Não quero os restos do que foste

Não quero as migalhas da tua atenção

não quero as sombras de onde andaste,

Não quero.

Tua voz

 


Tua voz  avassala

meus ouvidos

Meus sentidos se alertam,

Vejo-me só a sorrir

e o sorriso se alarga, se solta

Liberta meu encantamento,

As cores se  abrem,

A luz invade o ambiente

E me vejo liberta

A sonhar




Espiar

 


Estive te espionando 

Na penumbra

Com cuidado...

De não ser vista

Olhei tua beleza,

Vi teus defeitos

Encantei-me com tua presença

tão real e distante,

Não te toquei

Seria tocar um sonho

seria invadir o sonho

E talvez destruir a imagem

do que subentendo

continuo na penumbra

a espionar...

Infinito



Se eu tiver

Se eu souber

Se eu sonhar

Se eu abraçar

Se eu buscar

Se eu conhecer

Se eu regressar

Se eu acordar

Se eu sair

Se eu voltar

Se eu florir

Se eu sorrir

Se você me amar

E se eu gritar

Se você me ouvir

E se eu dançar

Se você me beijar

E se eu  olhar

Se você me abraçar

E se eu querer

Se você verbalizar

E visualizar o que sou capaz  

E tudo desejar

Infinito será.

Ruínas

 

Tantas  ruínas



Tanto a ruir

Sou parte disso tudo

E contudo,  o ruir

E sobre as ruínas,  minha vida

vida que insiste em emergir

Vida que emerge sem pedir

tantas contradições no espaço-tempo

Lembrar o que foi

Lembrar a vida que passou

Olhar o que ruiu e o que restou

De tudo 

Restou meu olhar sobre o que ficou

Ficaram ruínas.

Espelho de si

 

Não acredito

 que você não me viu...

Estive plena, estive toda

Estive aberta, estive estendida...

E o teu olhar cego

transpassou meu ser 

e pousou no espelho de si

Ao ser transpassada

fui também ferida e sangrada

E não me curei,

não levantei, 

fiquei prostada na solidão.

E depois...

 E depois... Sigo com a dor, quiçá findável Dor de um sonho acabado De um desejo destroçado De um vida nunca vivida De possibilidades que ja...