Insensibilidade é sentimento,
é sensação
a gente sente, mas tem que aguardar,
aprendi a aguardar.
Não se sente 'quanto'
Não se sente 'onde',
Não se sente frio,
Sequer se percebe a mudança
mesmo sutil na aspereza.
Normal é não sentir.
Se a palavra é direta: é insensível,
ignorar, tudo bem...
Todos gostam de imaginar
um mundo conhecido
aí fora...
Insensível mesmo é,
dissimular,
e olhar 'só para si,
fora não importar,
e nada ver.
Eu vi, mas por alguma razão,
destas que invadem e assolam.
Vi os movimentos,
Vi olhares maliciosos
(e não vi).
Vi a vaidade emergir e
embotar o restante,
Vi trejeitos lança-charme
de uma sinhá pomposa
tão ausente do que
conheci...
Vi que não me viam.
Aguardei, sou de aguardar
ninguém olhou, ninguém viu...
ninguém falou, só sutis olhares
de quem não quer saber
o tanto que um 'salto' pode
devastar uma vida.
Saiu, sem se despedir,
Esqueceu?
Não, na verdade, saiu sorrateira...
E se fez um silêncio aterrador.
Aguardei, sou de aguardar
Ninguém olhou, ninguém falou.
No silêncio também
há mensagens,
as fantasias vão ao chão
Não vou aguardar.
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