Disfarçou um olhar
em silêncio,
silêncio sentido.
em meu silêncio
entendi, entendi,
que anos não
soube quem eras.
Um olhar,
disseste
quem eras.
E ainda assim,
absolutamente nada
me removeu de meu
cansado lugar.
Tive que insistir, e
depois de vais e
vens disfarçadas,
a verdade nua e crua.
Essa verdade que me mostrou
o amargo do ser.
Chegou num recado mal dado, escrito
na consciência do que escrevia.
E um punhal desconhecido
entrou tão profundamente
no meu ser
que minha carne ferida
seguiu sangrando.
Sim lamentei.
o fim de um delírio
o translúcido do ser.
Cravei as unhas
em panos encharcados e
em paredes doloridas.
Bebi meu próprio sangue
ali mesmo procurando
a direção.
A terra é macia e
as pedras sensíveis:
descobri.
E continua a vida.
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