segunda-feira, 18 de abril de 2022

Um conto de amargor

 

Disfarçou um olhar

em silêncio,

silêncio sentido.


em meu silêncio

entendi, entendi,

que anos não

soube quem eras.


Um olhar,

disseste

quem eras.


E ainda assim,

absolutamente nada

me removeu de meu

cansado lugar.


Tive que insistir, e

depois de vais e 

vens disfarçadas,

a verdade nua e crua.

Essa verdade que me mostrou

o amargo do ser.


Chegou num recado mal dado, escrito 

na consciência do que escrevia.


E um punhal desconhecido

entrou tão profundamente

no meu ser

que minha carne ferida

seguiu sangrando.


Sim lamentei.

o fim de um delírio

o translúcido do ser.


Cravei as unhas

em panos encharcados e

em paredes doloridas.


Bebi meu próprio sangue

ali mesmo procurando

a direção.


A terra é macia e

as pedras sensíveis:

descobri.


E continua a vida.



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