Como vivi tantas fantasias,
Como me enganei com
o que senti?
Como vi coisas que
não existiram?
Como transitei em lágrimas
e não considerei essa dor?
Como ignorei meus pensamentos?
Como fui indiferente aos sinais?
Como dei meu melhor sem ser vista?
Como esvaziar meu coração
repleto de dores?
Como te olhei e vi
o que nunca existiu?
Como ofereci
o que nunca olhaste?
Como ignorei o vazio
daquela sala?
Como não percebi
a indiferença que me acompanhou?
Como não vi que aquele
mundo não era meu?
Como não senti o aperto
da falta de espaço?
Como me interessei por tantos fatos
que nunca me incluíram?
Como ignorei que minha presença
era preencher vazios?
Como não vi
os finais sempre solitários?
Como não vi que esse tempo
não era computado?
Como não me vi lançada
num canto solitário?
Como não vi,
Como não percebi,
Como me ceguei,
Como senti tanto
neste emaranhado de indiferenças?
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