segunda-feira, 18 de abril de 2022

Por tanto...


A dor advém 

do que pensava viver,

de um sonho caído, 

de ver, que 

era um 'canto qualquer'.


De correr livre

num campo de tantas cores.

De buscar a flor mais encantadora

De um chá de fim de tarde

De Almodóvar a questionar.


Minha dor é de

 ter pensado

que vivi.


Por vezes que 

não existi.


Por amizades caras,

efêmeras,


Por lágrimas que rolaram

sem valor...


Por um tempo

de fantasia.


Por gente 

que nunca conheci.


Por sentires secos e

de pontas agudas.


Por tanto que não vi,

e vi.


E neste embate de ser e não ser,

de ferir meu coração.


Feri o sagrado (em mim)

e vi tudo na lama

da escuridão,

tudo sujidade,

tudo,

 o que nunca existiu.

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