A dor advém
do que pensava viver,
de um sonho caído,
de ver, que
era um 'canto qualquer'.
De correr livre
num campo de tantas cores.
De buscar a flor mais encantadora
De um chá de fim de tarde
De Almodóvar a questionar.
Minha dor é de
ter pensado
que vivi.
Por vezes que
não existi.
Por amizades caras,
efêmeras,
Por lágrimas que rolaram
sem valor...
Por um tempo
de fantasia.
Por gente
que nunca conheci.
Por sentires secos e
de pontas agudas.
Por tanto que não vi,
e vi.
E neste embate de ser e não ser,
de ferir meu coração.
Feri o sagrado (em mim)
e vi tudo na lama
da escuridão,
tudo sujidade,
tudo,
o que nunca existiu.
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