Uma distinta dor se manifesta agora
Nada da dor de se saber inexistente
Nada da dor da invisibilidade
Nada da dor do ser descartável.
Mas uma dor pungente
de nada ser verdade,
de nada ser real,
de nada ser nada
e nada ser.
De ter imaginado,
de ter sentido, mesmo sem sentido
de ter sonhado sonhos tão reais
embora a realidade
nunca tenha sido sonho.
E do nada esta dor incansável
a controlar meu peito
a me abater
a prostrar-me em um chão qualquer
E ainda seguir sendo a mesma dor
Essa dor intransponível
da qual ainda dependo para saber de ti
tão longe de ti, tão longe daqui
E nunca aí... só a mesma dor.