terça-feira, 25 de junho de 2024

E depois...

 E depois...

Sigo com a dor, quiçá findável

Dor de um sonho acabado

De um desejo destroçado

De um vida nunca vivida

De possibilidades que jamais existiram

De tantos quereres 

De tantos sentires

De tanto que o nada absorveu

E o nada se tornou a realidade

Que trouxe nova dor

Dói pensar,

Dói saber 

Que tanto se torna 'nada'

E nada será

Um 'nada' do que tudo foi

E depois....

terça-feira, 9 de abril de 2024

 

Alucinada Segui



Em tantas línguas gritaste NÃO

Em tantas ações registraste NUNCA

Meus ouvidos estiveram surdos

Meus olhos cegos

E sensibilidade,  nenhuma

Totalmente alheia a realidade

Tomada por oníricas sensações

Nada vi, nada ouvi

Continuei sonhando e acreditando 

Que eram verdades as minhas ilusões,


Segui distorcendo e intensificando 

Minhas sensações alucinadas...

Dói deixar para trás tanto de um 'eu' que fui

Verdadeira e totalmente só

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Tudo o que só eu soube

 





Sobre tudo o que só eu soube 



         Nunca vi o ferimento aberto

         Até que estivesse ali, sangue jorrando

         E o coração partido


         Sei bem o quanto machuca 

         Sei melhor o que machucou

         Ainda assim só eu vi,


         E nem eu vi acontecer

         Acidental, talvez

         Providencial jamais

         Só dor por dor

        Sangue jorrando 

        E um coração partido

        

        Percebi, minha dor 

        Invisível ao mundo

        Punjente em mim


       E sigo mesmo sem cura

       Não há cura para

       Coraçãp partido

       Só dor incompartilhável


        Ninguém vê 

        Ninguém viu

        Só eu sei de tanta dor


quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Distinta dor

 


Uma distinta dor se manifesta agora

Nada da dor de se saber inexistente

Nada da dor da invisibilidade

Nada da dor do ser descartável.


Mas uma dor pungente 

de nada ser verdade,

de nada ser real,

de nada ser nada

e nada ser.


De ter imaginado,

de ter sentido, mesmo sem sentido

de ter sonhado sonhos tão reais

embora a realidade

nunca tenha sido sonho.


E do nada esta dor incansável

a controlar meu peito

a me abater

a prostrar-me em um chão qualquer

E ainda seguir sendo a mesma dor

Essa dor intransponível

da qual ainda dependo para saber de ti

tão longe de ti, tão longe daqui

E nunca aí... só a mesma dor.




Inconcebível

 


Haverá alguma lembrança?

Pergunto-me a todo momento,

pois para mim é inconcebível

Tanto sentir

ser 'nada'.


Tanto 

Se transformar em nada

Por ninguém ser visto.

Nenhuma dor percebida 

em milhões de lágrimas derramadas

E nem lembrança habitar

Sim, é inconcebível.

Ainda, ainda, ainda...

 


Ainda aguardando a costumeira hora

de te falar

Não há mais esse horário

Não há mais você a me falar

Não há mais o que falar

Não há mais nada do que foi


Não há mais nada,

onde nada foi.

De mim

 A saudade devora 

o que 

resta de mim

E nada a aliviará, 

pois 

não estou mais aí...


Nunca estiveste 'aqui'.


Agora uma rota obstruída

Outro desconhecido.


E lágrimas impedem

que se veja o mapa,

e mesmo que olhasse

não há mais direção 


A rosa dos ventos foi

 impudentemente  danificada,

Depois  esquecida...

E aquele imã

perdeu o  campo magnético

E ninguém notou...


Não vejo mais... 

 também não localizo a dor 

da tua ausência

(tudo dói),

dói-me a certeza de que só eu vivi

o lamento do fim.


E daqui, 

não vejo horizonte.


Tenho que secar 

minhas próprias lágrimas

Recuperar a visão

Olhar em diversa direção

mesmo em prantos...

A viver



Quantas vidas nunca vistas,

nunca observadas,

nunca valorizadas

perecem num deslizamento?


Dentro de mim, observo

Vejo a a gonia de todas elas...

Que foram lançadas

ao caos sem sequer se 

darem conta

da iminência da sucessão

de terra no soterramento,


Até que por fim

cessam de respirar

E toda dor e agonia

cessam

Dramas aliviam

Desfaz-se o peso que sufoca

Alivia a dor

Destrõem o que há 

E tudo o que dali nasceria...


E nada mais a viver

 

Ainda assim

 

Transitei em ruas escuras

Saí no silêncio,

 sequer um ruído

Via tua urgência ...


Ainda assim tantas vezes

Vigiei teus sonhos

- onde nunca estive.


Se chamavas,

eu seguia sem critérios

sim e sempre...


Idas e vindas tantas...

Idas repletas de expectativas, 

de alegria incontida e genuina,


vindas repletas de dor,

de lágrimas, de feridas.


E ainda assim, 

Só cessei meus passos

diante de te tuas duras palavras 

"o que vivo só interessa a mim".


- Meu coração ao chão foi lançado,

 já tão pisoteado...

tão dolorido,

tão sofrido.


Juntei as partes que enxerguei

e mais uma vez 

E de lá até aqui

Tentando juntar partes...


Nunca saberás

O tanto que ruí...

 

Quanto tempo dei

Quanta atenção

Quantas flores

Quanto de mim se esvaiu

Enquanto te escutava?


Quantos passos dei

Quantas lágrimas derramei

Quanto de mim esqueci

Quanto sobrou

do que fui?


E nada disso importa

nada disso importou...

Eu 'aí'  nunca estive...


Nunca ouviu

Nunca chorei

Nunca falei

Nunca me viste


Kintsugi

 


Comigo, contigo

com tantos que emergiram

do caos para se reconstruir

será uma  mesma onda de renovação...

Agora, entender

o novo panorama,

o que comporá

 a nova vida

repleta de possibilidades...


Aos poucos ergo o que sobrou inteiro

Ao despedaçado

aplicarei o 'kintsugi'

algumas imperfeições tem que ser aceitas

outras valorizadas.


O vivido nunca retorna,

mas podemos fazer melhor...

O mundo pode ganhar

se o que for emendado 

reluzir no final...

até sorriso é restaurado...

Enfim um aceite

 

É regra se livrar da dor

Enfim compreendi o  volume, o calor, 

a força necessária para 

contruir o novo.

Enfim aceitei que era imperativo

um novo olhar

um novo horizonte,


A compreeensão de que 

sobre tudo é possível

cultivar algum valor.


Um valor sobre a própria vida 

que se refaz

com renovada força

sob nova perspectiva

e nova luz

E ainda eu,

Enfim um aceite

Levanto.


A lava jorra

 



A lava jorra 

e encobre terras seculares

Em mim também jorrou

Essa dor aquecida pelo peso de 

tantas lembranças do que sonhei

e não vivi,

e eram sonhos, pode-se dizer seculares

Eram tantas as dores seculares e não curadas,

tantas feridas,

e expostas.


Deixei escorrer livremente

Desceu primeiro em profusão escaldante,

derrubando tudo

o que estava no caminho,

tudo esperando ser

derrubado.


Tudo a lava de dor

derrubou.

Coisas velhas, desgastadas

em pé pela força do hábito,

Tudo lançado ao solo

e encoberto pela lava quente,

lava amiga

ao se espalhar

desenhou nova paisagem.

No inicio rejeitada

- criada pelo caos

da lava flamejante,

assustadora e necessária

A derrubar, a criar no caos que 

espalhou...

Abro a janela

 


Olho e vejo o vazio

Nada em toda direção

Forço-me a outros caminhos,

A outros olhares

Forço-me a olhar para frente

Mas meus olhos estão cegos por tantas lágrimas

Da imensa tristeza

Que se tornou o momento,


Ainda assim, abro a janela...

Sigo





Quando a dor acalma

O corpo está esgotado

Esgotada está a esperança

Esgotada a vontade,

Esgotado todo meu ser


E, ainda assim

Tem que levantar

Por um pé ante o outro pé

E seguir,

Mesmo que no vazio


 

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Saudade no primeiro ato

  



Imensa, profunda, 

inexplicável.


Uma dor incompreensível,

Um olhar sempre 'buscador'

Um querer sentir, tocar

tão, mas tão imenso

de fazer doer.


E nada, 

Absolutamente nada no gesso,

que me envolveu.

Olhando, olhando

e só.

Fazendo um discurso

no silêncio.


Um festival vazio, e um

fecho  numa

'cerimônia do chá'


Chá dos sonhos meus,

imerso nas lágrimas

que derramo,

na enormidade

do meu sentir.


Eu sei o que é

saudade.

sexta-feira, 22 de abril de 2022

... e vivi

 

Eu sei,

 nunca foi,

mas há um encanto

em finais mágicos...

Que nos transportam para

um vale onde só há verde

e um amplo horizonte,

como não sonhar?


Hoje eu olho, e

vejo o sol,

vejo flores (que tanto amo) e,

só.


Escaparam-me ou dei um tempo

a certos prazeres, 

que trazem conforto e

embelezam os passos...

a saber...


Mas a vida é assim, o 

destino nunca será

 confiável.


Acredito somente em

passos que darei

com outros 'olhos',

perdi o 'medo de andar'.

Perdi tantos 'eus' e

sempre imagino 'outro

dia',

e vivi.

quarta-feira, 20 de abril de 2022

No lugar onde estou

 

Haverá lógica no que é sem

sentido,

no que causa dissabor,

No que causou tanto torpor?

No que lançou tanto ao chão.


Que solapou tanto afeto, tanto carinho...

E assim, nem num mundo de 'faz-de-contas'

Imaginaria o que foi...


No lugar onde estou

A rosa-dos-ventos não alcança...

Nem meus sonhos alcançaram

Nem sei quem fui...


No lugar onde estou

Nada faz sentido

Nem meus sonhos fizeram

Não sei quem fui.


História que foi

 


Eu penso numa história que foi,

uma história registrada

sob muitas pedras,

Verdade que vivi

sob a sombra de um sonho,

que nunca amanheceu.


Fui tomada por lembranças,

por desejos, por expectativas,

que não refletiram

em espelho algum.


Olhei e vi gente

que nunca conheci e que

nada me disseram, 

nada.

Nada vi, nada ouvi,

nada vivi.


Foi um percurso mal

-feito em estradas

que nunca existiram...


Cada olhar é outra 

memória, um jato de

acontecimentos

que acordam algo em mim.


E cada despertar

um estrondo, um movimento

de ser que transporta

onde estou para onde

desejei estar.


Conheci caminhos diversos e, em 

nenhum vi  tanta

amplitude sem nexo,

capaz de penetrar em

diamantes e os

transformar em cinzas.


Foram muitas vidas, e

neste tempo foram tantas ilusões.


Acredito, acredito que

esta história foi quem formou

o redemoinho, o 

cirandar de emoções,

que a vida trouxe

com  tanto, e de volta 

levou.



terça-feira, 19 de abril de 2022

A máscara

 

Isso tudo veio tão repentino.

para estrategicamente

encontrar o campo árido,

remexer com tal

força essa terra,

para revolver qualquer

'ser' que lá pudesse

 existir, 

qualquer indicio de vida.


Cavar tão fundo

Que possa levantar

o pó de

tristezas passadas.


Nada, nada, absolutamente

nada foi

tão avassalador.

Eu nunca tive notícias (embora suspeitasse),

de tanta malignidade no

plantio.


E agora? - também me pergunto...


Haverá semente boa

em algum canto 

dessa imensidão vazia?

Haverá de novo alguma

florada com a qual queira te presentear?


Nada sei,

mantenho a máscara,

a máscara salva.



E depois...

 E depois... Sigo com a dor, quiçá findável Dor de um sonho acabado De um desejo destroçado De um vida nunca vivida De possibilidades que ja...