quarta-feira, 11 de maio de 2022

Saudade no primeiro ato

  



Imensa, profunda, 

inexplicável.


Uma dor incompreensível,

Um olhar sempre 'buscador'

Um querer sentir, tocar

tão, mas tão imenso

de fazer doer.


E nada, 

Absolutamente nada no gesso,

que me envolveu.

Olhando, olhando

e só.

Fazendo um discurso

no silêncio.


Um festival vazio, e um

fecho  numa

'cerimônia do chá'


Chá dos sonhos meus,

imerso nas lágrimas

que derramo,

na enormidade

do meu sentir.


Eu sei o que é

saudade.

sexta-feira, 22 de abril de 2022

... e vivi

 

Eu sei,

 nunca foi,

mas há um encanto

em finais mágicos...

Que nos transportam para

um vale onde só há verde

e um amplo horizonte,

como não sonhar?


Hoje eu olho, e

vejo o sol,

vejo flores (que tanto amo) e,

só.


Escaparam-me ou dei um tempo

a certos prazeres, 

que trazem conforto e

embelezam os passos...

a saber...


Mas a vida é assim, o 

destino nunca será

 confiável.


Acredito somente em

passos que darei

com outros 'olhos',

perdi o 'medo de andar'.

Perdi tantos 'eus' e

sempre imagino 'outro

dia',

e vivi.

quarta-feira, 20 de abril de 2022

No lugar onde estou

 

Haverá lógica no que é sem

sentido,

no que causa dissabor,

No que causou tanto torpor?

No que lançou tanto ao chão.


Que solapou tanto afeto, tanto carinho...

E assim, nem num mundo de 'faz-de-contas'

Imaginaria o que foi...


No lugar onde estou

A rosa-dos-ventos não alcança...

Nem meus sonhos alcançaram

Nem sei quem fui...


No lugar onde estou

Nada faz sentido

Nem meus sonhos fizeram

Não sei quem fui.


História que foi

 


Eu penso numa história que foi,

uma história registrada

sob muitas pedras,

Verdade que vivi

sob a sombra de um sonho,

que nunca amanheceu.


Fui tomada por lembranças,

por desejos, por expectativas,

que não refletiram

em espelho algum.


Olhei e vi gente

que nunca conheci e que

nada me disseram, 

nada.

Nada vi, nada ouvi,

nada vivi.


Foi um percurso mal

-feito em estradas

que nunca existiram...


Cada olhar é outra 

memória, um jato de

acontecimentos

que acordam algo em mim.


E cada despertar

um estrondo, um movimento

de ser que transporta

onde estou para onde

desejei estar.


Conheci caminhos diversos e, em 

nenhum vi  tanta

amplitude sem nexo,

capaz de penetrar em

diamantes e os

transformar em cinzas.


Foram muitas vidas, e

neste tempo foram tantas ilusões.


Acredito, acredito que

esta história foi quem formou

o redemoinho, o 

cirandar de emoções,

que a vida trouxe

com  tanto, e de volta 

levou.



terça-feira, 19 de abril de 2022

A máscara

 

Isso tudo veio tão repentino.

para estrategicamente

encontrar o campo árido,

remexer com tal

força essa terra,

para revolver qualquer

'ser' que lá pudesse

 existir, 

qualquer indicio de vida.


Cavar tão fundo

Que possa levantar

o pó de

tristezas passadas.


Nada, nada, absolutamente

nada foi

tão avassalador.

Eu nunca tive notícias (embora suspeitasse),

de tanta malignidade no

plantio.


E agora? - também me pergunto...


Haverá semente boa

em algum canto 

dessa imensidão vazia?

Haverá de novo alguma

florada com a qual queira te presentear?


Nada sei,

mantenho a máscara,

a máscara salva.



segunda-feira, 18 de abril de 2022

Por tanto...


A dor advém 

do que pensava viver,

de um sonho caído, 

de ver, que 

era um 'canto qualquer'.


De correr livre

num campo de tantas cores.

De buscar a flor mais encantadora

De um chá de fim de tarde

De Almodóvar a questionar.


Minha dor é de

 ter pensado

que vivi.


Por vezes que 

não existi.


Por amizades caras,

efêmeras,


Por lágrimas que rolaram

sem valor...


Por um tempo

de fantasia.


Por gente 

que nunca conheci.


Por sentires secos e

de pontas agudas.


Por tanto que não vi,

e vi.


E neste embate de ser e não ser,

de ferir meu coração.


Feri o sagrado (em mim)

e vi tudo na lama

da escuridão,

tudo sujidade,

tudo,

 o que nunca existiu.

Um conto de amargor

 

Disfarçou um olhar

em silêncio,

silêncio sentido.


em meu silêncio

entendi, entendi,

que anos não

soube quem eras.


Um olhar,

disseste

quem eras.


E ainda assim,

absolutamente nada

me removeu de meu

cansado lugar.


Tive que insistir, e

depois de vais e 

vens disfarçadas,

a verdade nua e crua.

Essa verdade que me mostrou

o amargo do ser.


Chegou num recado mal dado, escrito 

na consciência do que escrevia.


E um punhal desconhecido

entrou tão profundamente

no meu ser

que minha carne ferida

seguiu sangrando.


Sim lamentei.

o fim de um delírio

o translúcido do ser.


Cravei as unhas

em panos encharcados e

em paredes doloridas.


Bebi meu próprio sangue

ali mesmo procurando

a direção.


A terra é macia e

as pedras sensíveis:

descobri.


E continua a vida.



E depois...

 E depois... Sigo com a dor, quiçá findável Dor de um sonho acabado De um desejo destroçado De um vida nunca vivida De possibilidades que ja...