segunda-feira, 11 de abril de 2022

Aos pedaços , como 'Frankenstein'

 

Há verdades,

que jamais deveríamos ouvir.

Ao ouvirmos,

nos lançam de prancha

no poço mais profundo

da alma humana.


A escuridão toma conta, 

a dor é insuportável.


Você reúne todas

as forças que já ouviu 

notícias, de dentro de si

e se põe em pé

aos pedaços , como 'Frankenstein'


E tudo reinicia...


Sinais

 

Todo meu corpo ser viu

os inúmeros sinais de

que "não seria".


Olhei? Não.

Sequer dei atenção,

então, 

as lágrimas, a dor

foram merecidas.

São alertas

dos olhos 

a um "não vê!".


Confuso pensar

 

E quando a dor se for?

Que restará?

Lembranças?

Vazio?


Mas dói tanto pensar

 que não foi nada.

Arrasa.


Põe por terra

tanta coisa, tanta.


Pela penumbra

vislumbro...

Não, olho

e vejo cicatrizes (essas hão de ficar)

- do que foi - e o que foi?

Foi sonho,

foi ilusão...

Confundi as cores,

E vi cores que sequer existiram...

Vi rabiscos e confundi com arte

Acreditei tando,

que desacreditar é difícil.

Surpreende

 

O que surpreende é 

que é essa dor profunda,

no fim será lembrança do 

tanto que amei.

Da decepção que foi

De tudo o que neste trecho 

se perdeu,

se quebrou, 

se rompeu.

Despedida?

Nada. 

Não houve tempo

e quando haverá?

Movimento

 

Na vida é necessário movimento.

Nada, absolutamente nada

parou.


Se parou, 

foi tua mente embotada

por tanto...

Segue o tempo, segue...


Mas alguns chacoalhões,

são terremotos,

não deixam nada de pé...

Se nada fosse, 

era erguer o que pode

ser erguido, 

e seguir,

e se der recomeçar.

 Mas sigo ainda paralisada...

Cadê o movimento?


Localização

 

A dor se alastra

invisível,

Ninguém vê

Mas quem a sente.

sabe bem onde está.


Todos tem suas próprias dores...

Não sobra tempo para ver, sentir,

ajudar, curar

a dor, se for alheia.

Vemos nossa própria 

dor no mundo.


Quando juntarmos as lágrimas

para lavar do coração as ilusões,

as marcas,

as indeléveis marcas

que se fazem visíveis

talvez só exista verdade,


Mas juntamos lágrimas

de outras ilusões.


De tantas outras dores

tantas e tantas lembranças,

algumas amargas, todas  profundas.

Algumas ampliam a dor...



Algumas que  nascem da insensibilidade...

"nem te vi"

"não percebi que estavas aí"

e tantas e tantas...

"um fingir estar distante'

 - fingir? - comigo?

Alastra tanto a dor...




Formas diversas...

 

De tantas formas

expuseste teu não,

de tantas e diversas maneiras,

que é difícil imaginar

que destas, todas

eu ignorei,

simplesmente

ignorei.

Mereço toda dor,


E depois...

 E depois... Sigo com a dor, quiçá findável Dor de um sonho acabado De um desejo destroçado De um vida nunca vivida De possibilidades que ja...