sexta-feira, 1 de abril de 2022

Pelo fim


 Nem olhando ao redor seria outra a saída

Coragem para o próximo passo,

Coragem para olhar para a frente,

Coragem para seguir

Coragem é um eixo

Onde os desvalidos

Se aprumam, depois de ficar em pé.

Eu sei, eu senti tudo se esvair,

E senti que seria necessário

E segurei entre os dedos

Um tantinho desta coragem



Não

 

Não quero mais

Teus delírios

Tuas encrencas,

Teus sonhos

Tuas dores

Não quero os restos do que foste

Não quero as migalhas da tua atenção

não quero as sombras de onde andaste,

Não quero.

Tua voz

 


Tua voz  avassala

meus ouvidos

Meus sentidos se alertam,

Vejo-me só a sorrir

e o sorriso se alarga, se solta

Liberta meu encantamento,

As cores se  abrem,

A luz invade o ambiente

E me vejo liberta

A sonhar




Espiar

 


Estive te espionando 

Na penumbra

Com cuidado...

De não ser vista

Olhei tua beleza,

Vi teus defeitos

Encantei-me com tua presença

tão real e distante,

Não te toquei

Seria tocar um sonho

seria invadir o sonho

E talvez destruir a imagem

do que subentendo

continuo na penumbra

a espionar...

Infinito



Se eu tiver

Se eu souber

Se eu sonhar

Se eu abraçar

Se eu buscar

Se eu conhecer

Se eu regressar

Se eu acordar

Se eu sair

Se eu voltar

Se eu florir

Se eu sorrir

Se você me amar

E se eu gritar

Se você me ouvir

E se eu dançar

Se você me beijar

E se eu  olhar

Se você me abraçar

E se eu querer

Se você verbalizar

E visualizar o que sou capaz  

E tudo desejar

Infinito será.

Ruínas

 

Tantas  ruínas



Tanto a ruir

Sou parte disso tudo

E contudo,  o ruir

E sobre as ruínas,  minha vida

vida que insiste em emergir

Vida que emerge sem pedir

tantas contradições no espaço-tempo

Lembrar o que foi

Lembrar a vida que passou

Olhar o que ruiu e o que restou

De tudo 

Restou meu olhar sobre o que ficou

Ficaram ruínas.

Espelho de si

 

Não acredito

 que você não me viu...

Estive plena, estive toda

Estive aberta, estive estendida...

E o teu olhar cego

transpassou meu ser 

e pousou no espelho de si

Ao ser transpassada

fui também ferida e sangrada

E não me curei,

não levantei, 

fiquei prostada na solidão.

E depois...

 E depois... Sigo com a dor, quiçá findável Dor de um sonho acabado De um desejo destroçado De um vida nunca vivida De possibilidades que ja...