sábado, 9 de abril de 2022

Poesia cambaleante

 




Há em mim uma poesia cambaleante

querendo emergir

Uma poesia de ofertas recusadas,

Uma poesia de amor desprezado,

Uma poesia de amizade rompida,

Uma poesia de dores vividas,

Uma poesia de indiferenças sentidas,

Uma poesia de um querer que não foi querido,

Uma poesia de estupidez atestada,

Uma poesia do ridículo de si,

Uma poesia de um sonho

que nunca encontrou o sol.

Era tarde

 Fechei a porta tarde...

A dor se aninhara em mim,

a dor foi tanta que debilitou meu ser,

Olhei todas as portas abertas

ao descaso,

ao silêncio,

à invisibilidade, 

à insignificância,

não consegui cerrar as portas,

Era tarde...

Ver

Ver é sentir,
ver é dar voz,
ver é olhar,
ver é ouvir,
ver é perceber,
mas eu também não vi

O ciclo findo

 Encerrei um ciclo,

este ciclo.

E olhei bem fundo em mim,

e vi o que fui ( o que sou),

leal, apoio, ouvinte, presença.

Nunca para exigir

Só pelo querer.

Mas cada qual vê  o que sua condição

permite ou quer ver...

É a natureza inata (creio).

E eu,  sempre me fiz vitrine

- se não viu, não me olhou,

Pois,

Meu pensamento é visível

Meu sentir está exposto

Sou óbvia.

O que foi 

impôs um novo olhar,

uma ação contundente

um andar em frente...

E hoje?

E hoje como estou?

 Numa batalha de vida ou morte

pelo controle de  mim...

Injetando coragem, decisão e juramento

Cavando fé...

estou viva  hoje...

e  ainda busco 

encontrar-me

No que o destino evidenciou,

Decido seguir...

Por querer-te tanto

 Por querer-te tanto

Sumi na ânsia de te ver feliz

De transmitir o melhor

Importava um único olhar,

mas era só indiferença,

Nunca importou

Tratada como 'nada - se saia

se entrava

se fechava a porta

se ia tarde, se ia cedo...

Nada importava,

sequer era vista...

Invisível entrava  e saía...

Desconhecido

Nem imagino como cheguei aqui

que onda enorme me arremessou

ao longe

Não reconheço o horizonte

Não identifico a direção do vento

Não sei onde estou

que farei aqui...

E depois...

 E depois... Sigo com a dor, quiçá findável Dor de um sonho acabado De um desejo destroçado De um vida nunca vivida De possibilidades que ja...